O Autismo
O Transtorno Autista é uma patologia, independente da raça, etnia, classe social ou condição cultural.
Análises sobre a incidência da Síndrome dependem de como a desordem mental é definida, dos critérios
adotados e dos procedimentos de diagnóstico. A inexistência de etiologia associada à gravidade da síndrome
é considerada por Holmes (1977) como um dos mais proeminentes e sérios fracassos da psicologia e da
psiquiatria, pelo sofrimento que causa aos familiares e pela falta de perspectiva quanto a uma melhora ou
cura (que é o que a família espera). Na opinião de Schwartzman (1994), o tratamento psicológico tem sido
considerado como indiscutível, principalmente para a família da criança portadora de Autismo.
Sabe-se que indivíduos autistas que desenvolvem razoavelmente a linguagem verbal, especialmente antes
dos cinco anos, terão melhores condições cognitivas e de inserção social na vida futura. Contudo, a simples
presença de palavras não garante a qualidade do desenvolvimento da comunicação. Segundo Leboyer (1987),
um autista não apresenta exatamente o mesmo quadro que o outro, em razão de diferentes graus de
gravidade, de diferenças nas capacidades, nas suas habilidades e na associação do Autismo à deficiência
mental ou a outras doenças orgânicas. Mas, ao longo do tempo, o indivíduo com Autismo muda seu
comportamento e as atipias respectivas podem se atenuar com a idade e o nível de desenvolvimento,
dependendo das intervenções educacionais e terapêuticas que receba.
Estilos de Aprendizagem de Alunos com Autismo
O ato de organizar já chega a ser difícil para cada um de nós e especialmente para alunos com Autismo.
Requer uma compreensão do que se quer fazer e um plano para a execução. De acordo com Leboyer (1987),
essas exigências são suficientemente complexas, inter-relacionadas e abstratas para apresentar obstáculos
incríveis para alunos com Autismo. Quando fica cara a cara com demandas organizacionais complexas (ex.:
organizar tarefas do dia-a-dia escolar, tais como programar os deveres que deverão ser resolvidos primeiro),
eles ficam freqüentemente imobilizados e muitas vezes não são capazes de executar as tarefas pedidas.
Mesibov (2006) recomenda que o desenvolvimento de hábitos sistemáticos e rotinas de trabalho é uma
estratégia eficaz para reduzir as dificuldades organizacionais desse aluno, e podem ser minimizadas também
com as listas de verificação, as programações visuais, e as instruções visuais mostrando concretamente aos
alunos autistas o que foi completado, o que precisa ser terminado, e como prosseguir.
A maioria dos alunos autistas se distrai por alguma coisa específica, assim, a identificação desse elemento de
distração é o primeiro passo para ajudá-lo no aprendizado. O que deve ser notado, no entanto, é que os
estímulos visuais e auditivos são meios caracterizadores da atenção e que, se usados de forma direcionada,
podem ajudar a construir rotinas consistentes de trabalho, destacar seqüências de eventos e fazer com que os
alunos autistas se lembrem da ordem adequada a seguir, já que freqüentemente não se lembram da ordem
precisa das tarefas.
Ao considerar as limitações da criança com Autismo e de como ela processa a informação e quais são as
melhores estratégias de ensino devido à singularidade de seus pontos fortes, interesses e habilidades em
potencial, é possível encontrar oportunidades para a proposição de técnicas de instrução adequadas aos seus
estilos de aprendizagem.
Treatment and Education of Autistic and Related Communication Handicapped Children (TEACCH)
Este método de ensino tem como autor Eric Schopler que, em 1966 na Universidade de Carolina,
desenvolveu o método para atender crianças com distúrbios da comunicação. A proposta foi organizar as
atividades pedagógicas a partir de uma estrutura rígida, priorizando a necessidade de rotina. As atividades
pedagógicas são apresentadas com antecedência e com suportes visuais e ações previsíveis (Lopes, 1997).
Essa proposta de trabalho para os autistas enfatiza o desenvolvimento da autonomia, sendo aplicada nas
crianças de forma individualizada, acompanhada e avaliada segundo uma escala de habilidades. Os
principais pontos do método são: estrutura física, programação diária, sistema de trabalho, rotinas e apoio
visual.
Neste método a programação individual de cada aluno é uma das ferramentas essenciais, pois possibilita o
entendimento do que está ocorrendo, propicia confiança e segurança. As dificuldades de generalização
indicam a necessidade de rotina clara e previsível. Indica visualmente ao estudante quais tarefas serão
realizadas, além de instrumento de apoio para ensinar o que vem antes, o que acontece depois,
proporcionando o planejamento de ações e seu encadeamento numa seqüência de trabalhos.
As atividades são feitas por meio de jogos intuitivos, com cores contrastantes (Figuras 01 e 02) e de uso
individual, trabalhando tanto com a percepção (Figura 03) quanto com a memorização. Autistas têm boa
memória, e isso deve ser usado a fim de favorecer o aprendizado.
Os portadores de autismo apresentam déficit de atenção, organização e processamento, impedindo a
compreensão de regras e padrões de linguagem. Assim, a função básica do apoio visual é exatamente suprir
essa deficiência através da comunicação das cores.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)

0 comentários:
Postar um comentário